28/03/09

A MEDALHA

Foi um dia alucinante!
Saímos de Lisboa pelas 8 da manhã, a bagageira atestada de fresquinhas carlsbergs e duns pastéis de bacalhau, croquetes, rissóis e pataniscas acabadinhas de fritar, cujo aroma a óleo quente se espalhou pelo carro durante a viagem, entranhando-se de tal modo na roupa que quando chegámos ao fim da viagem parecíamos acabados de sair duma fritadeira. Claro que não foi esquecido um arrozinho, não malandro porque a viagem foi longa e ficou empapado pelo caminho, e ainda quatro pães saloios meio enfarinhados e acabados de cozer em forno a lenha.
A viagem decorreu sem incidentes de maior, embora a paragem em Canal Caveira para o cafezinho da manhã se tenha revelado desastrosa devido a duas carlsberg que se partiram no porta bagagens, impregnando o que de comestível aí havia com um sabor extra a cerveja que não tinha sido planeado mas que, no fim, até acabou por ser agradável.
Atendendo a que chegámos ao fim da viagem bastante cedo, havia ainda muito espaço para estacionar. Depois de procurar um lugar o mais à sombra possível, o que não se revelou tarefa fácil, parámos a viatura e, de imediato, despejámos o porta-bagagens de tudo o que era comestível e bebível. Tarefa finalizada, foi começar a dar ao dente que a fome e a sede não se fizeram rogadas nem se deram ao trabalho de ficar pelo caminho.
Enquanto saciávamos o apetite, ia chegando mais e mais pessoal que, de imediato, seguia o nosso exemplo e entabulava conversa com os vizinhos, de modo a que, em breve, parecia estarmos numa feira franca em que um rissol era trocado por uma coxa de frango, ou uma asa de galinha era trocada por uma bem apetitosa chamuça, mas sempre tudo bem regado com carlsberg.
E assim foi decorrendo a tarde, sem motivos para arrelias ou disputas, pois parecia que estávamos todos unidos num único objectivo: comer muito e bom e beber carlsberg.
Por volta das 19H45, a maior parte do pessoal já não se encontrava por ali; tinha entrado num edifício situado no meio daquele descampado, qual nave espacial que por ali tivesse pousado há uns anos e, por falta de energia, não mais dali saíra.
De vez em quando ouvíamos os gritos dessa multidão da nave, mas não nos intimidavam porque a comida continuava óptima e a carlsberg sempre fresquinha e apetitosa.
Já era noite e pensávamos em regressar. Da nave espacial, depois de mais alguns gritos ocasionais, começavam a surgir gritos constantes e ritmados, que se mantiveram por quase meia hora. Tínhamos mesmo de ir embora porque o barulho já se tornava ensurdecedor e a carlsberg tinha-se acabado.
Entrámos no carro. Faltava apenas o Lucílio que tinha ido satisfazer uma necessidade fisiológica. De repente, vemo-lo entrar a correr, com uma medalha na mão, a dizer-nos para sairmos dali o mais rapidamente possível, enquanto víamos uma multidão a sair da nave espacial, vestida em tons de verde e a ouvíamos gritar: “Gatuno!”

Penalty:
“Devemos ser apugilistas da verdade desportiva!”


(A sair do Algarve, 22 de Março de 2009, 22H45)

20/03/09

Será Final...

QUER FLOR?

Leram-se durante a semana os mais diversos comentários, bastante críticos, à exibição do Glorioso no último jogo da Liga Sagres contra o Vitória Futebol Clube (de Guimarães), apontando todos num só sentido: Quique já está a abusar da sorte e o seu estado de graça estará a entrar em desgraça.
O cronista esteve no Estádio da Luz no pretérito sábado e reconhece que o SLB não jogou o suficiente para ganhar, mas também não jogou assim tão mal que merecesse perder. De facto, embora o jogo durante a 1.ª parte tenha sido pouco emotivo, o que até se compreende devido ao estado crítico em que está o país, mergulhado numa crise económica bastante grave, pelo que os jogadores acabam por correr menos para não gastarem muitas calorias, já a 2.ª parte teve um pouco mais de futebol, concretamente, mais dois minutos, pois enquanto na 1.ª parte o árbitro concedeu 2 minutos de compensação, na 2.ª parte deu 4 minutos.
O jogo revelou também um adversário, a quem acabou por sorrir a vitória, mas que apenas tinha a intenção firme de não perder no Estádio da Luz. Daí o tempo que foi queimando nas reposições de bolas em jogo e nas simulações de lesões, de modo a adiar ao máximo o que parecia inevitável: a vitória do Glorioso. No entanto, num lance fortuito, com muita felicidade à mistura e alguma miopia do árbitro assistente (mais uma equipa de arbitragem da Associação de Futebol do Porto a apitar jogos do SLB! Estranho!...), lá conseguiu marcar um golito, não tendo o Glorioso engenho e arte para dar uma alegria aos mais de 47.000 espectadores que estavam no estádio a acompanhar e apoiar a equipa, que bem precisa de todo o apoio.
Reconheço que se terá visto alguma descoordenação (motora?) nos jogadores, pelo menos do meio campo para a frente, não falando de alguma inadaptação daquele lateral esquerdo alto e guedelhudo que o Derlei e companhia tanto apreciaram no último dérbi, ficando ainda no ar a ideia de que a bola trocada de pé para pé pelos jogadores do Glorioso não cheira mais de três pés. Será necessário trocar de meias ou aplicar algum produto mais bem cheiroso nos pés dos nossos Gloriosos jogadores para que essas referidas trocas de bola, o ‘meinho’ como lhe chamam os entendidos, sejam mais eficazes?
O Cardozo foi substituído e ouviu-se o descontentamento dos adeptos que, os jornais desportivos logo associaram àquela incidência do jogo. Puro engano! Os assobios que se ouviram eram dirigidos ao espectador a quem, durante um sorteio realizado no intervalo do jogo, calharam 10.000 € em barras de ouro, mas, por não ser sócio do SLB nem ter o cartão de crédito da CGD, não as iria receber. Questionaram-se por isso os espectadores se o tal fulano seria algum adepto do outro lado da 2.ª circular já a tirar notas para tentar perceber quem irá arrecadar o caneco da Carlsberg e assobiaram-no!
É certo que o resultado foi o melhor para o Guimarães, que já há uns jogos que não vencia o SLB, e não foi bom para o Glorioso que está agora a 5 pontos dos do Porto, uma distância já considerável, atendendo a que só faltam disputar 8 jornadas. No entanto, partilho a crença do nosso Maestro, pelo que enquanto for matematicamente possível, acredito que ainda podemos vencer a Super Liga nesta época 2008/2009.
Uma palavra ainda para o Quique, que muitos não percebem por que motivo, estando há 8 meses no nosso país, ainda fala espanhol. Antes de mais, não se aprende a falar uma nova língua de um dia para o outro. Além disso, o português é dos idiomas falados um dos mais difíceis e se não se domina bem mais vale não dizer nada, pois ‘o português é uma língua muito traiçoeira’! E, por fim, convém não esquecer que cerca de metade dos jogadores da equipa que tem sido mais titular (Aimar, Reyes, Di Maria, Cardozo e Maxi Pereira) fala espanhol. Continue pois o Quique a oferecer flores em espanhol, sempre é mais perceptível que os “qué frô” marroquinos que diariamente invadem a cidade.
Quanto ao caneco que vamos disputar amanhã, 21 de Março, claro que é para ganhar, nem que seja por meio a zero! Se, por qualquer percalço, tal no entanto não suceder, quem ficará a perder será a cervejeira, pois deixará de vender uns bons litros já que é sempre mais apetecível e mais propenso ao consumo comemorar uma vitória do que chorar uma derrota!

Bola para a bancada:
Quando a mãe foi a casa da vizinha buscar um ramo de salsa, disse:
- Luís, põe um olho na sopa!
E o Luís (de Camões) obedeceu.
A partir desse dia, Luís (de Camões) passou a andar com uma pala no olho!



(Já no Algarve, 19 de Março de 2009)
@Kar Luz Estrela

14/03/09

Vamos continuar nas histórias... do Kar Luz

UM DIA EM LANZAROTE

José levantou-se cedo. Ultimamente andava a dormir pouco devido às dores que ainda lhe atormentavam as costas, consequência da última viagem a Portugal, feita no dorso de um elefante propositadamente requisitado para o efeito pela coroa real sueca. Del Rio que já estava a preparar o pequeno-almoço, olhou-o no rosto cansado e comentou José, pareces levantado do chão! Estou tão cansado que já nem sei se viajei num elefante ou numa jangada de pedra. Tomou o seu leite com Nesquick e uns croissants miniatura com fiambre e queijo, acabados de entregar por um dos poucos vizinhos, um dos faz-tudo da Ilha, e que também distribuía, uma vez por semana, as várias centenas de quilos de correspondência que chegavam à Ilha, seguindo o exemplo daquele outro carteiro que vira num filme a entregar a correspondência ao Pablo Neruda. Depois de mais um pequeno-almoço reconfortante, José saiu para o seu passeio matinal na Ilha, sempre acompanhado por Del Rio. Embora não acreditasse no Éden na sua vertente bíblica, pois orgulhava-se da sua convicção ateísta, sentia-se ali como num paraíso. Graças a Deus, costumava pensar, que decidi crucificar José (o outro) a meio daquele famoso Evangelho. Assim, vi-me obrigado a refugiar-me neste local para fugir à ira daqueles energúmenos que se sentiram ofendidos na sua fé secular, a começar por esse Secretário de Estado, cujo nome nem ouso recordar. À época, foi uma decisão difícil de tomar, mas com a ajuda de Del Rio, afinal revelou-se uma Nobel resolução, acabando por ser reconhecida e premiada internacionalmente.
As manhãs passavam rapidamente, e aquela não fugiu à regra. Para almoçar, decidiram experimentar A Caverna, restaurante inaugurado no sábado anterior e que prometia comida tradicional ibérica. Finalmente, Portugal e Espanha unidos num único país, pelo menos naquele espaço, algo que como José sempre sonhara, poderia ser o princípio de uma futura união política. O almoço foi excelente e abundante. José comeu com tanta satisfação e revelou um apetite de tal modo devorador que Del Rio quase o repreendia. Não queiras duplicar o teu peso, homem!
A digestão foi feita no regresso a casa. Era a hora da sesta, mas José não tinha tempo a perder. Andava às voltas com um novo romance e todos os minutos eram importantes para não perder o fio à meada.
Anoitecia, quando Del Rio o chamou para jantar. Depois, na sala com vista para o mar, entre dois dedos de conversa e uns Pedro Domecq, foram conversando sobre tudo e sobre nada, qual espuma de mais um dia que se esfumava. Há uns tempos que ando para te dizer, Del Rio. Já sei o que fazer ao meu espólio. Vou criar uma Fundação e tu serás o seu Pilar. Dito isto, José adormeceu no sofá.


Bola para a bancada:

O verdadeiro teste de maturidade não é a idade de uma pessoa mas sim o modo como reage ao acordar em cuecas no meio da cidade. [1]



(Na Ilha, 13 de Março de 2009)
[1] Woody ALLEN, Sem Penas, Bertrand Editora, 1987.

09/03/09






O MEU ENCONTRO COM KAFKA…





…Foi no Dubai.
Naquela manhã, depois de pesadelos constantes, acordei com a sensação de que algo estranho acontecera nas minhas costas.
Levantei-me e dirigi-me para a casa de banho. Em frente ao espelho, procurei encontrar posição para reflectir o meu dorso e, assim que o consegui, qual não foi o meu espanto quando me apercebi que quatro pequenas saliências, muito semelhantes às patas de um coelho, me despontavam, duas nas omoplatas e duas um pouco acima dos rins. Estupefacto, e sem perceber o que se teria passado, continuei durante alguns minutos a olhar para o espelho, enquanto as minhas mãos agarravam tais intrusos, tentando despegá-los do corpo, mas sem contudo o conseguirem. Estavam presos e bem presos e a cada esticão a dor que sentia era tanta que desisti.
Voltei para o quarto, tentando pôr alguma ordem nas ideias mais mirabolantes que em catadupa me afluíam. Comecei por maldizer a minha sorte e as quatro patas que me estragavam umas férias para as quais lutara durante dois anos sem descanso, sem horário de trabalho, sem feriados nem fins-de-semana, só com o objectivo de ganhar o prémio que o laboratório farmacêutico oferecia ao seu melhor prospector.
Um pouco mais calmo, delineei algumas estratégias e a primeira foi telefonar para a minha seguradora, ramo saúde. A voz simpática que me atendeu do outro lado lamentou informar mas nada podia fazer pois a companhia não tinha protocolos com nenhuma entidade prestadora de cuidados de saúde no Dubai.
Depois de alguns impropérios menos dignos, decidi sair do quarto e, sem tomar o pequeno-almoço, não fosse alguém reparar nas minhas costas, dirigi-me para uma esplanada na praia. Sentei-me na cadeira que estava mais junto à parede do bar de apoio, tendo o cuidado de proteger as costas de qualquer olhar indiscreto, e pedi um pequeno-almoço à inglesa.
Sentia-me com um apetite devorador, talvez por ter mais quatro patas para alimentar, e estava já no terceiro ovo estrelado com bacon quando, ao levantar os olhos do prato, vi diante de mim um homem, moreno, aparentando não ter mais de 40 anos, fisionomia com ascendência judaica, orelhas talvez um pouco grandes demais, olhar penetrante e uma tosse quase constante. Parecia já estar a olhar para mim há uns minutos e então, com um ligeiro gesto de ombros, indiquei-lhe uma cadeira para se sentar à minha mesa.
Agradeceu, sentou-se e pediu uma água com gás. Depois começou a falar, a princípio com alguma timidez mas, à medida que a conversa foi avançando, as palavras saíam-lhe quase em catadupa. Começou por me dizer que conhecera um amigo que também tivera um problema parecido com o meu, embora com outra amplitude, pois nem sequer do quarto saiu, a não ser por breves momentos e num dia de infeliz memória, quarto onde acabou por morrer, fechado no seu limitado mundo. Perguntei-lhe se também tinha quatro patas de coelho nas costas, mas não me conseguiu definir muito bem o que acontecera. Parecia-se com uma barata ou um escaravelho, melhor, com um gigantesco insecto.
Apesar da tosse constante, lá me foi desfiando mais um pouco da sua vida, dos seus problemas com o pai, a quem acabava de escrever uma carta, que não sabia se ele alguma vez iria ler, mas na qual lhe tentava explicar os motivos pelos quais a sua presença constante sempre o atemorizara.
Falou-me também doutros amigos que tinham passado por alguns problemas na vida. Um deles fora alvo dum processo judicial, em que tinha sido preso, acusado, julgado, condenado e executado, por um crime de que não teve qualquer conhecimento. Sentia-se tão revoltado com a situação que estava seriamente a pensar escrever um artigo ou uma crónica para o jornal, se tivesse tempo para isso. Só que a companhia de seguros onde trabalhava era tão exigente e ocupava-lhe tanto tempo que, para escrever tal crónica, quase não poderia dormir. E aquela tosse também não o ajudava nada.
Falou-me ainda de um amigo que visitara numa colónia penal mas que mal tivera tempo para ver porque estava completamente embrenhado na construção duma nova e revolucionária máquina de tortura e execução.
Também me contou a história dum outro amigo que emigrara para a América e que no barco onde viajava só não foi linchado e atirado aos tubarões porque, no mesmo barco, seguia também um tio de que mal ouvira falar, mas que o reconheceu e conseguiu interceder junto do comandante, salvando o sobrinho dum destino cruel.
A manhã já ia longa, aproximava-se a hora do almoço e o desconhecido continuava a falar, a contar histórias da sua vida, embora a tosse, por vezes demasiado insistente, lhe causasse alguns problemas e o obrigasse a grandes pausas durante a conversa que ia mantendo comigo.
Perguntei-lhe então se era casado e falou-me de três ou quatro amores com quem se correspondera. Desses, estivera seriamente comprometido com um e quase casara, mas, praticamente em cima da hora do enlace matrimonial, fugira porque, e aí parafraseou um poeta português, “queriam-no casado, fútil…” e ele não estava muito entusiasmado com a ideia.
Há tanto tempo que conversamos e ainda nem sei o seu nome, nem de onde é, nem o que faz.
Não vale a pena, retorquiu, um dia há-de ouvir falar de mim. Como já deve ter percebido, trabalho para uma companhia de seguros, em Praga, estou aqui para ver se melhoro da tuberculose e de vez em quando escrevo umas coisitas sem importância.
Eu, leitor compulsivo, pedi-lhe logo que me mostrasse algo do que escrevera, mas respondeu que não tinha nada consigo; no entanto, havia dois ou três livritos que já tinham sido publicados. O resto que havia lá por casa tinha tão pouco valor que até já pedira ao seu mais íntimo amigo que, quando morresse, queimasse tudo.
Mas o senhor ainda vai viver muitos anos.
Que não, respondeu. A tuberculose já estava em fase terminal e dali só para o cemitério judaico de Praga.
Emocionei-me com o desprendimento e com as histórias daquele homem e estava para convidá-lo para almoçar quando um japonês, aspecto cuidado, cinquentão, sorridente e bastante falador, se aproximou da mesa. Trazia uma mochila às costas repleta de discos de jazz que transportava para todo o lado desde que fechara o seu bar em Tóquio e uns blocos A4 quadriculados, onde ia vertendo as ideias que lhe surgiam enquanto viajava para, um dia, as transformar em livros. Encarou-nos demoradamente e pediu autorização para tirar uma foto. A máquina era uma polaroid já velhinha, quase uma relíquia de museu, das de fotos instantâneas, que o japonês se gabava de ter recuperado e que era o seu orgulho. Tirou a foto. Estava excelente. Pedi que a autografasse e, se assim o entendesse, escrevesse uma dedicatória.
Sim senhor, é para já!
Quando me devolveu a fotografia, já o desconhecido se tinha retirado, sem que me tivesse dado conta, e li “Com Kafka à beira-mar”, ass. Haruki Murakami.
Ia agradecer-lhe quando, ao olhar à sua procura, não vi ninguém. A esplanada estava vazia. Chamei a empregada que me servira o pequeno-almoço e perguntei-lhe por eles mas ela garantiu-me e jurou pela saúde dos seus entes mais queridos que ninguém, a não ser eu, tinha estado naquela esplanada durante toda a manhã.
Impossível, retorqui. Então e a água que veio para a mesa?
Qual água? Já disse ao senhor que não esteve mais ninguém na esplanada.
Teria sonhado? Estaria acordado? Belisquei-me, esfreguei os olhos. Sim, estava acordado. De repente lembrei-me das patas de coelho. Passei as mãos e não senti nada. Chamei novamente a empregada.
Desculpe, pode ver se tenho quatro patas de coelho nas costas? A rapariga olhou para mim, levou uma mão à testa e desapareceu no interior do bar.
Ainda incrédulo, levantei-me e regressava ao hotel quando ouvi chamar. Voltei-me e vi a empregada a gesticular. Regressei à esplanada e procurei a mesa onde tinha estado sentado. Esquecera-me da fotografia.


Livre contra a barreira:
Quem dentes tenha quer trincar! [1]



(Aí, Março de 2009)
[1] Adaptação livre da sabedoria popular (“quem desdenha quer comprar”).

02/03/09

Kar Luz Estrela. Mais um comentário

Reconheço

Reconheço
Que há dias difíceis.
Que era sábado de Carnaval, mas levámos a mal.
Que o jogo não correu de feição.
Que o defesa esquerdo esqueceu-se da sua posição.

Reconheço mas não admito
Que haja jogos em que os árbitros tenham alguns pruridos em assinalar grandes penalidades aos 6 minutos de jogo.
Que haja jogos em que os árbitros apitem baseados na lei da compensação.

Constato
Que quem não mata na 1.ª parte, arrisca-se a ser morto na 2.ª parte.
Que na Liga da 2.ª Circular o SLB, em igualdade pontual, estará sempre em vantagem por ter marcado dois golos no campo do scp.
Que o fcp ficou bastante satisfeito com o resultado do derbi.

Concordo
Que o SLB ainda não ganhou nada.

Acredito
Que o SLB ainda pode vencer a taça da cerveja Carlsberg.
Que o SLB ainda pode ser campeão.

(Confirmo
Que o Carnaval do Rio é muito mais interessante que qualquer jogo da Liga Sagres!)

Livre directo:
Grão a grão apanha a galinha uma congestão! [1]


(Sambódromo, 23 e 24 de Fevereiro de 2009)
[1] Créditos: Sabedoria popular.
Devagar porque temos pressa. Será?
A jogar desta forma não há coração que aguente. Vamos a ver!

20/02/09

CHILL OUT


O despertador tocou!

(PLAY, Two To Stay (Original Mix)) [1]

Entreabriu um olho, depois o outro, muito calmamente e olhou para o relógio, estava na hora!
Sem pressa, foi saindo da cama, despedindo-se suavemente do calor confortável que lhe proporcionara mais uma noite de sono tranquilo.
Subiu as persianas e maravilhou-se com o dia que se lhe deparava, anunciador de tempos primaveris que não tardariam, embora as andorinhas ainda não tivessem começado a realojar-se nos condomínios que tinham construído no ano anterior debaixo do beirado do prédio onde morava. Mas o sol já se antecipara e, dardejando, dava a entender que a estação florida poderia chegar mais cedo este ano.

(ANGEL, Space Gang feat. Natascha) [2]

Abriu a janela para deixar entrar aquele ar que se adivinhava tonificante e, por uns minutos, os seus olhos perderam-se a olhar o horizonte, deixando-se absorver numa sensação de bem-estar e de paz de espírito, nem sempre possível de desfrutar.

(NO MATTER WHAT, Groovy Waters (Nu Soul Edit)) [3]

Era hora de cuidar da sua higiene pessoal. Em frente ao espelho contemplou-se demoradamente e verificou que a saliência proeminente de há seis meses atrás quase desaparecera. Ficou satisfeito consigo próprio! Finalmente conseguira incutir alguma disciplina na sua vida, pelo menos nos aspectos físicos, com a hora diária de caminhada, seguida das flexões e abdominais que se impusera e que vinha cumprindo escrupulosamente, dando já frutos bem visíveis.

(Nº5, Kosmic Soul (Vocal Mix)) [4]

Recordou ainda com alguma nostalgia o que já não bebia, o que já não fumava, as noites que dormia mal e a correr, as olheiras e o catarro com que se levantava, a dor de cabeça persistente e que só começava a debelar-se ao fim do terceiro café da manhã. Como estava mudado!

(FOLDED WINGS, Natalie Renoir) [5]

Procurou no roupeiro as combinações possíveis e imaginárias de roupa e decidiu-se por um pólo cinzento-escuro, liso, umas calças de ganga e os seus velhos ténis sanjo.
Saiu e dirigiu-se para a esplanada onde tinham combinado encontrar-se.
Fez o caminho a pé. Eram só 15 minutos, aquele sol não era para desperdiçar dentro do carro e, além disso, sempre passava junto a duas ou três bancas de jornais e aproveitava para dar uma olhadela aos títulos de primeira página, ficando assim informado, gratuitamente, sobre o que de mais importante acontecera enquanto estivera a dormir.

(FLY ME TO THE MOON, Dual Sessions (Dark Side Mix)) [6]

Chegou à esplanada, sobranceira ao rio. Estava deserta. Era domingo e àquela hora muitos dos clientes habituais tinham acabado de se deitar, depois de mais uma noite de intensa actividade lúdica.
Ainda faltavam alguns minutos para a hora marcada. Telefonou-lhe. Estava quase a chegar, podia ir encomendando o pequeno-almoço.
Tinha acabado de fazer o pedido quando, ao olhar em frente, a viu e ficou extasiado a contemplar os seus olhos castanhos tão abertos e brilhantes, o seu sorriso doce e cristalino. Permaneceu por uns momentos sem reacção e, de repente, como que despertando de um sonho, abraçou-a intensamente e beijou-a ardentemente saboreando mais um reencontro dos muitos que ainda os esperavam.

(ELEVEN, Ronan) [1]

Livre directo:
O sonho do Infante D. Henrique era uma Super Bock porque estava farto de Sagres! [2]



(I WANT YOU, Locomonk) [7]
[1] “Chill Out Trilogy > The Definitive Collection”, www.pmbmusic.com
[2] Idem, Ibidem.
[3] Idem, Ibidem.
[4] Idem, Ibidem.
[5] Idem, Ibidem.
[6] Idem, Ibidem.
[7] Idem, Ibidem.
(Lisboa, domingo de manhã)
[1] Idem, Ibidem.
[2] Créditos: “Pão com Manteiga”

13/02/09



A QUEDA




Quando Eva se deixou seduzir pela serpente e comeu a maçã, que depois dividiu com Adão, estava, sem o saber, a dar origem a uma das quedas mais famosas da história da humanidade. Felizmente, o cronista estava lá, viu e registou no livro sagrado da tradição católica esse início atribulado da humanidade pecadora.
Desde então, e ao longo da sua história, muitas têm sido as quedas que ficaram para sempre gravadas na memória colectiva da humanidade, como, por exemplo, a queda do Muro de Berlim, que simbolizou o desmoronamento do Bloco de Leste. No caso português, e reportando-nos apenas ao século passado, a queda mais célebre foi a de Salazar, que caiu da cadeira em 1968. Entretanto, e em tempos recentes, também ficaram famosas as quedas do João Pinto que, no Benfica, eram mergulhos para a piscina e no Sporting passaram a ser penaltys (deve ter havido alguma alteração legislativa da qual o cronista nunca se apercebeu). Mas agora, e a partir do passado dia 01 de Fevereiro, a queda mais famosa, e que já fez correr mais tinta do que qualquer uma das referenciadas, passou a ter como protagonista um argentino, de nome Lucho González, muito bem secundado por um português, sócio do SLB desde pequenino, chamado Pedro Proença (a sorte que o Benfica tem tido com os Pedros que, à excepção do Mantorras, só nos têm beneficiado esta época!).
O cronista estava lá e viu a famosa queda. Viu o Lucho González cair e cair dentro da área. Ora, diz a lei que a queda na área é penalty. Esteve muito bem o árbitro em assinalar o castigo máximo!
O cronista viu depois o Moreira cair na área e o fcp empatar. Se o Moreira tem caído na área do fcp também era penalty. Como caiu na área do SLB foi golo, pois se não tem caído a bola ia-lhe direitinha aos pés, possibilitando a sua defesa e evitando assim que o fcp colocasse ainda mais injustiça no resultado.
O cronista, como já referiu, estava lá e viu, apesar de só ter entrado 30 minutos depois do jogo começar, o que até foi bom pois viu o Glorioso jogar (rezam as crónicas que o fcp só jogou nos primeiros 25 minutos e devem ter razão por aquilo que o cronista pôde testemunhar!).
O cronista estava lá e fazia parte daquele grupelho que, “face às ocorrências recentes em compromissos da equipa visitante[1], e contrariamente ao que padronizava a organização portista, a “PSP decidiu juntar numa única coluna”, sendo sujeito a uma revista à entrada do estádio “forçosamente minuciosa”, que resultou na “apreensão de diverso material pirotécnico e de material passível de ser arremessado”. O cronista estava lá e viu alguns adeptos com petardos que “apenas foram detectados após vistoria ao calçado”. Claro que não foram todos obrigados a descalçar-se, apenas aqueles que apresentavam enormes inchaços nos pés, devido à volumetria dos referidos petardos. O cronista viu, mas o comunicado não refere, certamente por esquecimento, adeptos saudosistas da sequela do Rambo com granadas de mão, metralhadoras e obuzes que, felizmente, os agentes da PSP e os ARD’s recolheram antes de entrarem no antigo estádio da antas, agora apelidado estádio do dragão (que, segundo rezam as más línguas, era para ser chamado ‘Estádio Fernando Gomes’. O azar foi o Rui Rio ter ganho as eleições autárquicas!).
Já dentro do estádio, o cronista, incentivado pela impunidade de casos recentes, com o grupelho de que fazia parte, passou os 60 minutos de jogo a gritar “nós só queremos ver Lisboa a arder”, saudosos da campanha que o Imperador Nero fez para iluminar Roma e incentivou o tal grupo dos 1000 adeptos para que, no regresso à capital dos mouros, parassem em todas as áreas de serviço e, qual furacão Katrina, deixassem marcas da sua passagem.
Ainda relativamente às questões relacionadas com a segurança, o cronista viu e agradece ao fc porto a “larga experiência na organização de esquemas [2]” e a permanente disponibilidade “para discutir com todas as entidades no sentido de melhorar os procedimentos de segurança (…) em eventos que envolvem o bem-estar de 50 mil pessoas”, quase sendo tentado a convidar o fcp para organizar a segurança do Rock in Rio – Lisboa, por exemplo, atendendo a que tão boa conta tem dado do recado! Quanto ao “aparecimento de algumas tochas no sector visitante”, deviam ser dos tais 1000 adeptos que não faziam parte dos “dois grupos de 750” (ver Nota 1), e que terão utilizado os referidos objectos luminosos para iluminar a equipa de arbitragem!
Por tudo o que fica escrito, pode o cronista e todos os que o lêem ficar descansados, que “o fc porto costuma proceder à análise dos factos antes de avançar com conclusões (…) e não é hábito do clube dirigir responsabilidades próprias para terceiros”, daí o “planeamento de segurança para este jogo ter sido feito em consonância com a PSP”, pelo que, e para o fcp, “as palavras do Director Nacional da PSP não podem deixar de provocar alguma perplexidade”, palavras que se transcrevem, para que não restem dúvidas, nem ao fcp, nem aos adeptos do Glorioso: “o problema surgiu no estádio, com o número de entradas da fiscalização da segurança privada, dos ard’s (assistentes de recintos desportivos), que eram só dois e tivemos de solicitar o reforço do número de agentes, para que fosse mais acelerada a entrada dos apoiantes do Benfica”.
Palavras esclarecedores e cheias de significado e que motivam ao cronista o agradecimento à PSP pelo que fez no dia 01 de Fevereiro de 2009, possibilitando, assim, que os adeptos “da equipa visitante” vissem 59 minutos de futebol de primeira água. O minuto que não viram foi o da queda. Olhavam, à excepção do cronista, para os 1000 adeptos que estavam a acender uma tocha!


Às margens laterais:
Como dizia o maneta, mão há só uma!
[3]

(Algures, neste país à beira-mar plantado)
[1] As citações que se seguem foram retiradas, com a devida vénia, do douto comunicado do fcp, de 03 de Fevereiro de 2009, em que “esclarece o esquema de segurança concebido para o «clássico»”. Equivoca-se, no entanto o referido comunicado quando refere no ponto 1 “o FC Porto concebeu o esquema de segurança habitual (…) para a previsão de 2500 adeptos visitantes” e no ponto 2 “tendo em conta a expectativa de dois comboios com adeptos visitantes, o ideal seria separá-los em dois grupos de 750 cada”. Ora, segundo a matemática do cronista, dois grupos a 750 cada dá um total de 1500. Se eram 2500, onde foram parar os outros 1000?
[2] Negociata, arranjo, conluio, in Dicionário Houaiss de Sinónimos. (Sublinhado do cronista).
[3] Crédito: José SESINANDO in Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1000
@Kar Luz Estrela

09/02/09

Fraquinho, fraquinho. À Benfica


Afinal havia outro.

Fraquinho, fraquinho. À Benfica.

Duas equipas:fraquinho, fraquinho. A de arbitragem e a do Norte.

À Benfica. A nossa equipa.

Desta vez mostrámos grande rigor táctico viemos com uma igualdade (1-1) com sabor a pouco, uma vez que o golo salvador dos do norte resultou de uma grande penalidade inexistente. Com este desfecho, temos luta acesa no topo da tabela, mas sem companhia, já que o Sporting perdeu (2-3), em casa, com o Sp.Braga, e começa a ficar para trás.
No jogo, o FC Porto começou mais mais atrevido, acercando-se algumas vezes das redes de Moreira. Este avanço durou cerca de25 minutos. De realçar, no entanto, que esta preponderância territorial nunca teve, nem de perto nem de longe, sufoco. O Benfica a não concedeu grandes espaços à tradicional movimentação das duas linhas mais adiantadas do adversário.
Nós com um meio-campo mais povoado, começámos por equilibrar a discussão naquela zona do terreno. Amorim e Reyes, nos flancos, Yebda e Katso, no meio, mas com o grego um pouco mais adiantado, sobrava ainda Aimar, na posição de charneira, entre o miolo e o homem mais avançado, Suazo.
Com um bom sentido posicional a meio, fomos uma formação mais compacta e que dava garantias. Reyes, por duas vezes, criou perigo, mas o golo só surgiu mesmo ao cair do pano, por Yebda, após canto de Reyes.
Na 2ª parte, refinámos os processos a meio-campo, ao mesmo tempo que o sector defensivo ia dando conta do recado, perante uma menor lucidez do ataque contrário, turvada por alguma ansiedade evidente. Quique Flores já tinha prescindido do ponta de lança de raiz (Suazo), por troca com Di Maria, visando um maior controlo, quando o árbitro resolveu, mais uma vez, entrar no jogo (já os amarelos)....
É verdade que Yebda fez menção de ir ao choque, mas o certo é que nem tocou no homem da equipa do norte. Mal assinalado o penalti que deu o 1-1. Um resultado que se manteve, apesar de injusto.
Sócios destes... não, Obrigado!
Para a semana à mais.

06/02/09

o 'texto' desta semana (à benfica!: fraquinho, fraquinho, fraquinho!!!)

UM TEXTO (descontínuo)

Como os meus leitores ainda estarão recordados, as maravilhas das novas tecnologias deixaram o último texto pendurado, pelo que hoje deveria dar-lhe a continuação de modo a concluí-lo. No entanto, porque a versão electrónica apresentada não é mais do que um conjunto de gatafunhos pouco acima do ilegível, porque, contrariamente ao que era anunciado, recebi vários reportes de que não se conseguia aumentar aquele texto, apesar de seguirem as instruções apresentadas pelo gestor do blog (a não ser que a grande maioria dos computadores já necessite de reforma) e ainda porque tal dificuldade em aceder satisfatoriamente ao texto da pretérita 6.ª feira não permite recordar o que escrevi, entendi não o concluir mas, atendendo a que tal texto estava praticamente terminado, lanço, aqui e agora, um desafio aos leitores para imaginarem a conclusão e, se assim o entenderem, partilhá-la com todos os que espreitam o blog.
Anda toda a gente preocupada com o tempo que ultimamente se tem feito sentir um pouco por todo o país. São as rádios, as televisões, os jornais, os sítios noticiosos que, numa quase paranóia colectiva, não se cansam de constantemente nos bombardear com previsões de mau tempo e com os alertas coloridos que a Protecção Civil vai lançando, quase dando a ideia que o Inverno deveria ser uma estação em que o sol teria de brilhar das 00H00 às 24H00, de modo a que o pessoal pudesse andar por aí em t-shirt, calções e chinelas de dedo e passasse o tempo de papo para o ar numa praia perto de si. Parece que se esqueceram que o Inverno é a estação das chuvas, do frio, do vento, da neve. E na sua normalidade, tem tantos encantos como qualquer outra das estações do ano. Necessário se torna, no entanto, estar atentos, para descobrir o quão maravilhoso pode ser esta época. Para ajudar os meus leitores a entrarem na magia de um dia de chuva, que, no entanto, tanto pode ocorrer no Inverno como em qualquer outra estação do ano, permito-me partilhar um poema de Ruy Belo. Saboreiem-no e aproveitem estes dias chuvosos e o que eles podem ter de encantador.

“AH! A MÚSICA

Quem terá deixado esquecida
esta música ouvida num canto da rua?
Ninguém de quem passa nela repara no entanto – é ela – faltava
no dia de chuva
No meu dia de chuva?
Meu seria decerto este dia
pois por mais precário que eu seja
nenhuma chuva fora podia
cair se acaso em mim não caísse.
Cai chuva e há música em meu coração
Era mera ilusão o dia de chuva.” [1]


Bancada central:
Tipo 1: Viste por aí uma cedilha?
Tipo 2: Não. Porque perguntas?
Tipo 1: Porque ando à caca dela!

(Alcochete, junto ao freeport, um dia qualquer do mês)
[1] Ruy Belo, Todos os Poemas, in Poemário Assírio & Alvim, 2009, 06 de Fevereiro
@Kar Luz Estrela

01/02/09

O Assalto ao PRIMEIRO


Num jogo disputado sobre difíceis condições devido à chuva, a primeira parte da partida não trouxe grandes oportunidades de perigo. O Rio Ave foi mesmo a primeira equipa a criar perigo por intermédio de Yazalde, que rematou por cima da nossa baliza.
Ainda na primeira parte, registo para uma bola ao poste, com Cardozo a receber na área e, bem ao seu estilo, rodou e rematou ao poste da baliza do Rio Ave.
Na segunda parte, o nosso avançado errou novamente o alvo ao cabecear ao poste da baliza do Rio Ave. Quique Flores colocou em campo Reyes, mas a principal revolução na equipa foi a entrada de Mantorras que, passados quatro minutos marcou. Mantorras recebeu o passe de Cardozo na grande área e rematou cruzado já dentro grande área para o único golo da partida.
Com este resultado conseguimos ganhar dois pontos ao outro clube.

30/01/09

mau tempo...

Este sítio que se pretende agregador dos aeronáuticos Benfiquistas não tem tido a participação necessária ao seu desenvolvimento. A grande excepção é o nosso comentador residente Kar Luz Estrela. Apesar dos tempos menos bons, de hoje se encontrar sem o seu portátil e sem acesso à Internet conseguiu enviar o manuscrito da sua crónica por fax.
Fica o exemplo e a crónica em imagem. Para aumentarem basta clicar na mesma.
Crónica de Kar Luz Estrela


PS: Por falha de energia não foi possível receber toda a informação. Ficou acordado com o autor que o tema será concluído na próxima crónica.

Fica então mais uma crónica e o exemplo.

23/01/09

pois... gosto mais com açucar


Aí está...

KAR…PIT…AL

Um roteiro lisboeta a dois


Já há uns meses que tínhamos decidido aproveitar um dia a passear por Lisboa, cidade de mil encantos e recantos, do fado e dos Santos Populares, das sete colinas e do Tejo, sempre o Tejo.
O dia anunciava-se primaveril, céu limpo, sem vento e uma temperatura amena (as previsões apontavam para uma mínima de 13º e uma máxima de 22º). Decidimos aproveitar a manhã para sentir o despertar de Lisboa e das suas gentes, o ritmo diário de uma multidão que percorre as ruas da capital em direcção aos mais variados locais de trabalho que proliferam na cidade.
Manhã cedo chegámos à Praça da Figueira apinhada de gente, de variadas etnias, profusão de cor e movimento, conversando numa plêiade de línguas que não entendemos. Muitos dos que se cruzaram connosco acabariam por passar por ali o dia, sem rumo certo.
Empreendemos de imediato a subida até ao miradouro da Graça. Tarefa extenuante, mas recompensada pela vista privilegiada que pudemos contemplar enquanto, refrescados pela agradável sombra de um pinheiro manso, bebíamos um chá preto, sem açúcar. E olhámos demoradamente o Castelo, a Mouraria, o Martim Moniz, a Baixa Pombalina e as ruínas do Convento do Carmo, avistámos a serra de Monsanto, até o nosso olhar repousar no Tejo.
Saciados, abandonámos aquele local deslumbrante, parando ainda noutro miradouro bem próximo daquele, o da Senhora do Monte, donde admirámos a Igreja da Graça, com a sua imponente torre, a frondosa colina do Castelo e a Mouraria, detivemos o olhar na Baixa pombalina, para depois o subir até ao Carmo e avistámos a serra de Monsanto e, a norte, as Avenidas Novas e a Penha de França, nunca perdendo de vista o Tejo. Faltou o serviço de chá mas, nas vistas, rivalizou com o da Graça.
Descemos à Baixa. Íamos almoçar ao Bairro Alto pelo que nada melhor do que aproveitar uma das atracções da capital e subir no elevador de Santa Justa.
Saciado o apetite, caminhámos até à Doca do Espanhol, em Alcântara, onde chegámos ainda a tempo de tomar lugar no veleiro Príncipe Perfeito para uma viagem no Barco Poético. Durante o percurso, o tema da conversa foi a poesia. Conversámos sobre poesia, ouvimos recitar poesia, respirámos poesia. A certa altura, pediste autorização para, também tu, recitares um poema. O orador de serviço aquiesceu de imediato, tentado pelo ineditismo da proposta, e então abriste o meu mouleskine, que me tinhas retirado da mochila sem que eu me tivesse apercebido, e declamaste um dos meus poemas, que foi depois dissecado na sua totalidade formal e de conteúdo até ao fim da viagem.
Ainda não refeitos da emoção daquele momento, entrámos na Galeria Quadrado Azul e demorámo-nos a contemplar a exposição de fotografia de Paulo Nozolino, bone-lonely, e a sua predilecção pelos ambientes escuros e universos sufocantes, em fotografias, muitas delas de grande formato.
Caía a tarde.
Antes de jantar, apeteceu-nos contemplar o dia a terminar. Subimos até ao Miradouro do Adamastor. Um chá verde e a noite a chegar, com todo o brilho das luzes que se iam acendendo a nossos pés e iluminando a cidade que ainda demoraria algumas horas a adormecer.
Antes do regresso a casa, que tinha o seu ponto de partida na Gare do Oriente, parámos no Casino de Lisboa, não nos jogos de muito azar e pouca fortuna, mas no espectáculo dos Stomp. O humor, o ritmo irresistível, o movimento, os objectos mais díspares e os sons resultantes da sua utilização, proporcionaram duas horas de espectáculo visualmente impressionante, o complemento ideal para fechar com chave de ouro este roteiro lisboeta.

À trave:
Ela: Amor! Para mim, a fidelidade é muito importante.
Ele: Para mim também, querida. É a minha companhia de seguros!

(Gare do Oriente, s.d.)
@kar Luz Estrela

16/01/09

Nova crónica de Kar Luz Estrela

Janeiro

A vida de cronista não é fácil, principalmente nos dias em que a inspiração teima em não aparecer e o prazo para entregar a crónica está a esgotar-se.
Hoje é um desses dias.
Escrever sobre quê ou quem? Sobre o SLB? Já tudo foi escrito na imprensa, seja desportiva ou de referência, diária ou semanal, pelo que o escriba nada de novo iria acrescentar ao que toda a gente leu, correndo até o risco de se tornar repetitivo, desmotivando quem ainda se dá ao trabalho de espreitar estas crónicas.
Questionam-me “então isto não é um blog benfiquista em que o que se escreve deve ter como temática o Glorioso?” e eu respondo que, como já referi em crónica anterior, foi-me dada carta branca e uma caneta de tinta permanente para escrever. Só isso. E é isso que tenho tentado fazer. Umas vezes mais inspirado, outras vezes menos, umas vezes com ideias próprias, outras socorrendo-me de escritos e ideias de outros, mas sempre e só com um único fim: escrever.
Mas hoje, repito, falta-me a inspiração. Situação que, aliás, não é de agora. Prolonga-se há vários dias e ainda não consegui descobrir a origem, apesar das tentativas já efectuadas, incluindo medicação apropriada recentemente prescrita.
É evidente que esta questão não pode ter origem na brilhante campanha interna do SLB na Liga Sagres, em que conquistou o título de “Campeão de Inverno”, e, apesar do tropeção na Trofa, ainda mantém o primeiro lugar na prova. É certo que os adversários ficaram escandalizados com a excelente arbitragem no jogo contra o Braga. No entanto convém recordar que o árbitro mais não fez do que seguir uma das regras essenciais e vitais do Estado português que é a de beneficiar os grandes. Sempre assim foi e sempre assim será, embora algumas arbitragens nos últimos tempos e nos jogos do Glorioso, andassem esquecidas dessa prática corrente e tão intrinsecamente portuguesa.
A falta de inspiração que me rói as entranhas também não está relacionada, nem com a entrada em vigor do novo ano, o primeiro, embora ainda seja frequente enganar-me no último dígito, continuando a escrever o 8, nem com a crise económica, apesar de já se conseguir deduzir que a crise afinal não é para todos.
Resta-me apenas, e enquanto a inspiração não chega, esperar, e de preferência sentado, à espera que um dia destes se digne aparecer, para poder escrever algo de útil e que o gestor do blog possa aproveitar para editar.
Até lá, limito-me a crónicas como a que acabaram de ler.

Fora-de-jogo:
Quando vires um sapo a fumar, chama a A.S.A.E.!

(Bairro Alto, um dia destes)
@kar Luz Estrela

11/01/09

Quem?

Este domingo foi o fim de uma série de dois jogos sem vencer na Liga de futebol, ao batermos o Sporting de Braga por 1-0, e regressando à liderança da competição, em igualdade pontual com outro clube.
Em jogo da 14ª ronda da prova, no nosso estádio, David Luiz marcou aos 45 minutos o golo que valeu o regresso aos triunfos em casa, algo que já não acontecia desde Novembro de 2008.
Com esta vitória, voltámos ao topo do campeonato, em igualdade com os outros.
Apesar de uma exibição menos conseguida na Trofa, Quique Flores confiou a Moreira a baliza, colocando Miguel Vítor no eixo da defesa, junto de Luisão, e David Luiz como lateral esquerdo.
Apesar de já estar recuperado, Reyes ficou sentado no banco de suplentes, com o técnico a optar por Di Maria no meio-campo e pela dupla atacante composta por Pablo Aimar e David Suazo.
No lado dos bracarenses, Jorge Jesus surpreendeu ao deixar de fora do "onze" o camaronês Meyong e reforçou a zona do meio-campo com cinco unidades, deixando apenas o colombiano Renteria na frente.
Apesar de um maior domínio da equipa minhota nos primeiros minutos, fomos nós quem criou a primeira oportunidade da partida, através de Suazo, que, com um remate bem colocado, obrigou Eduardo a efectuar grande defesa.
O lance protagonizado pelo avançado hondurenho pareceu acordar a equipa que realizou mais incursões até à área bracarense, sempre por Aimar e Di Maria, mas sem nunca conseguir incomodar o guarda-redes minhoto.
Na última jogada da primeira parte, David Luiz, com um excelente cabeceamento, deu-nos a vantagem, depois de um livre bem marcado por Aimar.
O tento acabou com uma série de mais de 600 minutos sem sofrer golos do guardião Eduardo.
Aos 57 minutos, num rápido contra-ataque, Di Maria sofreu uma grande penalidade, após falta de Mossoró, mas, na marcação, David Suazo permitiu a defesa de Eduardo, que assim manteve os bracarenses na corrida por um bom resultado.
Jorge Jesus ainda lançou no encontro Meyong e Matheus, mas o melhor que o Sporting de Braga conseguiu foi um remate de Alan, aos 76 minutos, a que Moreira respondeu com uma boa intervenção.
A cinco minutos do fim, Moreira impediu o golo bracarense, com uma enorme defesa.
Estes já cá cantam, que venham mais três.

09/01/09

Notícias escolhidas ao acaso

“Em Junho, termina a calibragem obrigatória de frutas e legumes que vigora no espaço europeu, ficando ao critério dos Estado decidirem se se podem comercializar cenouras tortas e maçãs pequenas. A coisa durava há décadas e é agora revista com dois argumentos fundamentais: combater o desperdício e baixar os preços. Diz a Comissão Europeia que, com isso, vai reduzir os preços em cerca de 40%. Certamente exagera. O lóbi da fruta grossa, que lhe impôs a calibragem, esmagando os concorrentes menos preparados, vai tentar manter tudo como está. Mas esta decisão demonstra que a fúria reguladora de Bruxelas provocou desperdício e preços altos. Quer dizer, prejudica os produtores e os consumidores, em nome dos quais se fazem tantas das regras absurdas que os eurocratas inventam, cedendo, geralmente, a algum interesse particular.”
(Expresso, Novembro de 2008)
(Com esta medida os ‘fenómenos do Entroncamento’ já podem ser vendidos por essa Europa fora…)

“Recuperar a filosofia dos cafés de antigamente é o principal objectivo do Praça Caffé, que abriu no passado dia 15, na Praça Luís de Camões, em Mértola.
Rui Rodrigues e Carlos Carvalho, parceiros de negócio, destacam “o ambiente acolhedor e o serviço de qualidade” num espaço que “se assemelha ao coffeshop à inglesa, onde as pessoas se encontram para tomar café e conversas sem pressas.”
Aberto entre as 9 e as 2 horas, o Praça Caffé transforma-se à noite num descontraído bar, onde a música ambiente varia entre o jazz, o chill out e o lounge.”
(Ecos do Guadiana, Dezembro de 2008)

“João B. Gomes era um homem banal. Professor de desenho, (…) que não fez nada de extraordinário, nem sequer foi um brilhante aluno, ou artista, ou escritor. Em abono da verdade, nada do que fez em vida o teria posto nas páginas de um jornal. Mas há homens que deixam marcas de surpresa. No momento em que soube que perdera a guerra contra o cancro – que o minava há 12 anos – reuniu os amigos e encomendou-lhes a tarefa de gerir a sua herança. Peça por peça, livro por livro, cada um dos objectos que fizeram a sua vida devia ser colocado a leilão. “Para quem deles mais precisar”, disse. (…) E para que chegasse a todos, a base de licitações parte de um único euro. No final, o valor real da vida do João será distribuído por associações de solidariedade.
Nunca casou ou teve filhos (…) e quando a doença o agarrou, o mundo ficou mais pequenino. (…) Nos últimos tempos de vida pegou nas trouxas e fez o que mais gostava: viajar.
“Nem se pense que há uma fortuna em jogo”, salientam os parentes. São restos de uma vida, repleta dos quadros que o João pintava, mas que nunca conseguiu expor. Dos livros que leu e dos discos que ouvia. Tudo o que quis deixar. “Além do ser ou não ser dos nossos problemas, o que importa é isto: penso nos outros, logo existo”, deixou João escrito num dos cadernos para os depositários da sua herança. É esta a frase, aliás, que encabeça o blogue que leiloa as marcas da vida do professor, do pintor e do amigo. Ironia do destino, o solitário encontrou agora uma grande companhia. Os amigos perpetuam a memória para lá do previsto para um homem, acima de tudo, normal.”
(Expresso, Outubro de 2008)

“Obra feita… no papel.
(Os políticos têm cada vez mais numa irresistível tendência para publicarem os seus escritos)
(…) A verdade é que a obra escrita dos políticos portugueses mede-se em quilómetros de linhas e talvez mesmo em toneladas de tinta. Quase todos escrevem ou têm essa tentação, quando não sentem mesmo essa obrigação. As editoras apostam e o público compra. (…) Não admira. Antes do interesse comercial (nunca confessado e até às vezes rejeitado), vem a vontade de explicar, de informar, de, enfim, “dar a sua versão dos factos”.
“Os políticos vendem, mas vendem mais quanto mais mediáticos são e em função da actualidade do momento” (…) e são tantos os títulos que se chega a duvidar se as vendas correspondem a livros lidos, ou bibelôs de estante.
Além dos livros políticos escritos pelos políticos, restam ainda muitos pequenos livros, com recolhas de discursos, intervenções na imprensa, escritos esparsos. No fundo, meras justificações de trabalho feito ou boas intenções para uma obra adiada…”
(Expresso, Novembro de 2008)
(É caso para dizer: dediquem-se à escrita e deixem a política para quem quer servir o País e não servir-se do País!)


Notícia de última hora:
O Glorioso enviou uma exposição à Liga de Clubes a solicitar que o patrocinador principal da Liga seja substituído, argumentando que a cerveja Sagres tem provocado nas últimas semanas algumas indigestões, azias e amargos de boca. Na mesma exposição, o Glorioso propõe que o patrocinador principal passe a ser a Carlsberg, já que, pelo menos a que foi dada a provar na cidade-berço, não provocou efeitos secundários tão graves!
(Revista “Mística”, n.º especial dedicado ao título de “Campeão de Inverno”)

(Pontinha, um dia qualquer de 2009)
@Kar Luz Estrela

04/01/09

É Natal??????... ainda?


As escolhas de Kar Luz Estrela

2008 – As minhas escolhas muito pessoais

Melhores livros lidos:
O Homem sem Qualidades – Robert Musil;
Os Detectives Selvagens – Roberto Bolaño;
O Jogo do Mundo (Rayuela) – Júlio Cortázar;
Em Busca do Carneiro Selvagem – Haruki Murakami;
Fome – Knut Hamsun

Melhor livro de colecção:
Portugal em Selos 2008 - CTT

Melhores músicas ouvidas:

Tudo o Que Eu Te Dou – Pedro Abrunhosa & Bandemónio;
A Strange Kind of Love – Peter Murphy;
Where Is my Mind? – Pixies;
Save What You Can – The Triffids;
New York City – The Peter Malick Group featuring Norah Jones

Melhor texto escrito:
Sonhou que Era Um Cabide (no prelo)

Melhor dia do ano:
31 de Dezembro

Melhor nome de Café/Snack-bar:
PÁRA E PENSA

À entrada do Estádio:

Votos para 2009:

Que os coiratos nunca sejam de coiro,
Que a sã gria não adoeça,
Que o árbitro não seja loiro
E que cada um tenha o que mereça!

(Serra de Alvaiázere, 01 de Janeiro de 2009)

26/12/08

Era uma vez…

Um menino chamado Pedro. [1]
O Pedro tinha sete anos, era filho único e vivia com os pais numa aldeia perto da grande cidade.
O sonho do Pedro era ter um irmão; estava cansado de brincar sozinho, de querer jogar às escondidas e não ter ninguém para procurar, de querer jogar à apanhada e não ter ninguém para agarrar.
Um dia, o Pedro encheu-se de coragem, foi falar com a mãe e fez-lhe o seu pedido. Mas a mãe, assim que o ouviu, respondeu de imediato que era impossível porque o dinheiro mal chegava para pagar as prestações da casa e do carro, para a comida e para comprar de vez em quando alguma roupa. Por isso, um irmão nem pensar.
O Pedro ficou muito triste com a resposta da mãe mas não desanimou.
Perto da casa onde vivia, existia um baldio pantanoso, onde o Pedro ia muitas vezes para ouvir as rãs, ver as flores, as plantas que lá cresciam, tão diferentes das que via nos vasos que a mãe tinha em casa ou nos jardins dos vizinhos, os peixinhos pequeninos e também pequenos insectos que por ali andavam sempre à volta.
No pântano havia muito barro e, depois da conversa com a mãe, Pedro teve uma ideia: iria fazer um irmão de barro.
Assim, começou a ir todos os dias ao pântano buscar barro, que ia juntando num cantinho da garagem.
Quando lhe pareceu que já tinha barro suficiente, começou a sua obra. Durante vários dias foi trabalhando o barro e, depois de várias tentativas, o seu irmão estava pronto e tão bem feito, que só lhe faltava ter vida para poderem brincar os dois. Chamou-lhe João e levou-o para o quarto. Nessa noite, dormiu com o irmão de barro, na sua cama quentinha.
O Pedro estava muito contente com o irmão que tinha criado. Tão contente que não quis guardar essa alegria só para ele e, no dia seguinte, levou-o para a escola.
Quando chegou, explicou à professora que era o seu novo irmão e ela deixou-o entrar e sentá-lo na cadeira ao lado da sua e, durante aquela aula, os outros meninos da sala não pararam de olhar para o novo parceiro do Pedro.
Chegou a hora do recreio e o Pedro pegou no seu irmão ao colo e levou-o para o pátio, onde os outros meninos já jogavam à apanhada e à cabra-cega.
O Pedro não quis jogar nenhum jogo e afastou-se para um canto do pátio com o irmão e aí ficou a dar-lhe miminhos e a falar com ele. Estava tão feliz!
Mas de repente, sem que nada o fizesse prever, o sol desapareceu, nuvens muito escuras pintaram o céu de negro e logo de seguida uma chuva intensa abateu-se sobre o pátio.
O Pedro, que estava no canto mais afastado da porta de entrada na escola, nem queria acreditar no que estava a acontecer. Começou a correr para se proteger, mas a chuva era tão forte que mal conseguia andar. E então reparou que aquela chuva estava a cair também sobre o irmão, começando a desfigurá-lo, depois deformá-lo, até o derreter.
Quando se conseguiu abrigar, o seu irmão não era mais do que uma bola deformada de barro.
E o Pedro chorou, até os olhos ficarem secos por já não terem mais lágrimas para chorar. Depois, decidiu que quando fosse grande faria um irmão de pedra.
Terminada a escola, o Pedro voltou para casa, desolado. Ao chegar, a mãe estava a regar as flores e cantarolava, assobiava, por vezes quase parecia que estava a dançar e, ao vê-lo, correu para ele, beijou-o e abraçou-o com um abraço bem apertado.
O Pedro não estava à espera daquele contentamento, que contrastava com a sua tristeza, e perguntou à mãe o que tinha acontecido.
Então a mãe pegou nele pela mão e levou-o até à sala. Sentaram-se no sofá e começou a falar:
- Sabes, Pedro. Eu e o teu pai estivemos a conversar e decidimos que conseguimos dar-te o que nos tens pedido. Vais ter um irmão, que irá nascer pelo Natal!
O Pedro olhou para a mãe, com os seus olhos pretos bem abertos e brilhantes de alegria, abraçou-a, deu-lhe um demorado beijo na face e disse:
- Obrigado mamã. Não poderias dar-me melhor prenda. Este será o Natal mais feliz da minha vida!
(Conto de autor desconhecido. Inédito encontrado algures)

Na Liga Sagres, e em semana natalícia, nada melhor para manter o espírito desta quadra do que distribuir uns pontinhos! A Madeira e Coimbra agradeceram.

À trave:

Antes da queda, Adão transava mas não gozava.

(Budha Bar, s.d.)

[1] Não. Não era o Pedro Henriques. Este é o personagem de um possível conto de Natal, que não tem nada a ver com aquele que foi o actor principal de mais um roubo na Catedral!

Alinhar à direita@Kar Luz Estrela

25/12/08

Natal

Festas Felizes para todos os nossos amigos, leitores e colaboradores.
Uma saudação especial ao Frazão, Lima e Mendes pela continuação da organização do jantar dos Benfiquistas, ao D Ferreira pela concepção gráfica que vem mantendo nas nossas diversas actividades.
Uma enorme saudação ao nosso colaborador permanente Kar Luz Estrela que, através da sua caneta afiada, nos vem alimentando o ego Benfiquista.

19/12/08

Não há dobradinha!

Os Rey(es) também falham!

Por uma vez, tive a curiosidade de ler os comentários ao que, de há uns tempos a esta parte, tenho feito chegar a este blog, de e para benfiquistas, e foi uma autêntica desilusão! O acto de comentar, que de um acto nobre sempre se tratou, está hoje, graças aos avanços das novas tecnologias, vulgarizado e acessível a todos, o que origina que, na maior parte das vezes, o que se lê são apenas ataques depreciativos e marginais ao conteúdo do que se pretendeu comentar, escritos como se fossem mensagens de telemóvel, utilizando abreviaturas e letras a servir de palavras, e que espero que Fernando Pessoa nunca leia pois renegaria de imediato a sua Pátria, a língua portuguesa!
De uma forma geral, e ao institucionalizar-se o acesso do comum dos mortais aos mais variados meios de comunicação, permitiu-se que tudo possa ser dito e escrito sem controlo demasiado apertado, dando origem a que apareçam autênticas pérolas de escrita e conversação, como as que a seguir se tentam transcrever e que são apenas uma ínfima parte do enorme manancial que todos os dias fica disponível na Internet, na rádio ou na televisão:

“á é p deixar o comentário? atão cá vai disto: não gosto do quique. o governo é 1 kambada de xulos! kem não salta é lampião. toma lá mais 5! a lagartagem tá desperada! o p.c. é k vus mostra como é k é! Bibó Porto!

- Dê-nos a sua opinião no fórum TSF!
- Tou sim? Tou a falar do Montijo e tenho pra dizer que gosto muito do pograma. Que é bom darem a voz ao povo porque o povo tamém tem de se fazer ouvir.
- E quanto ao assunto em discussão o que é que tem a dizer?
- Bem, tá a ver, prontos, então é assim: eu até acho que o Paulo Bento é um bom treinador, mas o Miguel Veloso tá a ficar um bocado saídote e tem de levar um puxão de orelhas. Tá a ver. É isto que eu penso. Quanto ós outros. Eu não os considero grandes porque eu sou do sportim e é o único que é grande. Os outros nem aos calcantes lhe chegam. E prontos. É esta a minha opinião. M’to obrigada por me darem voz!

- Opinião Pública, na SIC, a sua opinião conta. E já temos um espectador em linha.
- Bom dia. Tou a falar da Amadora. Só uma pergunta: tão-ma ver na tevisão?
- Não.
- Ó pena. É que eu queria mesmo é que me vissem na tevisão. Mas portantos e quanto ao caso BPN, acho que o governo devia nacionalizar os bancos todos e ficava um banco só, para ajudar o Zé socras a endireitar isto porque o país tá mal, é só miséria e desemprego e roubos e bandidagem à solta. Sabe que eu tou aqui numa rua com muitos bandidos, já me tentaram entrar em casa duas vezes e a polícia não fez nada. Os bancos têm sido todos uns chulos a encherem-se à nossa custa. Portantos é isto que eu penso e mais uma vez muito obrigada por poder falar na tevisão, na sic que é a que vejo sempre. As outras não valem nada.”


Penso que a mostra é suficientemente elucidativa sobre a qualidade dos comentários que, na generalidade, nos são dados a ouvir e ler, e proporciona matéria mais que suficiente ao cronista para que, invocando novamente Fernando Pessoa e parafraseando um dos seus mais famosos poemas, escreva:

“E o que comenta o que leu
No comentário realça bem
Não aquilo que se escreveu
Mas só o que lhe convém.


Posto isto, ou se fosse um papelinho amarelo com uma faixa autocolante na retaguarda seria post it, o cronista entende que os comentários, sejam eles à forma, ao conteúdo, ou à cor clubista, são sempre bem-vindos, quanto mais não seja para poderem ser utilizados em próximas crónicas.
Quanto ao Glorioso, que 10 milhões de portugueses gostam de comentar, 4 milhões a dizer mal e sempre à espera que não vença, e 6 milhões porque é o seu clube do coração, conseguiu o que nem SCP nem FCP tinham conseguido, isto é, não perder com o Leixões, jogando 120 minutos em pleno Estádio do Mar. Perdeu nos penaltis, mas nas lotarias nem todos ganham! Na Taça UEFA, a despedida foi justa, por aquilo que não fez em jogos anteriores, (in)justiça confirmada no último jogo em que, por manifesta falta de sorte, não conseguiu evitar um traumatismo ... ucraniano.

Comentário:

A minha mãe nunca me deu de mamar. Ela dizia que só gostava de mim como amigo.

(Praia da Nazaré, à procura de carapaus secos)
@Kar Luz Estrela

13/12/08

Lá vai uma, lá vão duas... É Natal

Na partida que marcou o regresso de Moretto à nossa baliza, o guarda-redes, mas também o resto da equipa, tiveram em Matosinhos um verdadeiro trabalho de Hércules frente ao Leixões durante 120 minutos.
O jogo acabou empatado a zero e só no último penalti da série Reyes falhou.
Wesley foi o primeiro a marcar, sem hipóteses para Moretto, mas Cardozo fez a mesma 'brincadeira' frente a Beto.
Zé Manuel também não falhou, tal como Katsouranis para o Benfica.
Hugo Morais marcou o terceiro e Nuno Gomes seguiu-lhe o exemplo.
Laranjeiro marcou o quarto para o Leixões, seguido de David Luis, que também converteu.
Chumbinho quase permitia a defesa a Moretto, mas conseguiu marcar o quinto penalti. O mesmo não aconteceu com Reyes, que falhou a oportunidade de seguir para os quartos de final, ao permitir a defesa de Beto.
O jogo foi um verdadeiro confronto de gigantes.
No final dos 90 minutos, tanto o Benfica como o Leixões tiveram grandes oportunidades para matar o jogo, principalmente através de Reyes, do lado dos encarnados, e de Hugo Morais, pelos homens de Matosinhos.
E como o empate não era resultado possível, as equipas tiveram mesmo de voltar ir para prolongamento, para lutar pelo lugar na fase seguinte da Taça de Portugal.
No prolongamento o jogo acalmou bastante, com as equipas a temerem um contra-ataque que pudesse deitar tudo a perder e com os músculos a começarem a ceder.
Nos penaltis o Leixões acabou por sair vencedor.

12/12/08

Kar Luz Estrela! E agora?

E agora?

Agora, cajuda do Guimarães, o Glorioso está no primeiro lugar da Liga Sagres!
Finalmente! Apetece dizer.
Depois da semi-frustração no jogo contra os homens do Sado, os comandados de Quique Flores deram uma resposta que os detractores da qualidade do grupo de trabalho julgavam impossível.
Independentemente da expulsão do guarda-redes do Marítimo, mais que justa, diga-se em abono da verdade desportiva, o Glorioso mostrou uma atitude em campo que deu a resposta eficaz e necessária para o momento menos positivo, em termos de resultados, que a equipa estava a atravessar.
Com um David à solta, qual fera endiabrada e que partiu completamente os rins à defesa menos batida da Liga, um senhor Rey(es) a marcar e dar a marcar golos e um grego, que não nos está atravessado, a comandar as operações a meio campo, o SLB foi imparável, construindo uma goleada histórica, daquelas que já não se viam há anos!
Agora é tempo de saborear e solidificar esta conquista e manter o nível exibicional atingido na Madeira, a começar já amanhã contra o vice líder da Liga Sagres em mais uma eliminatória da Taça de Portugal e continuando no próximo jogo da Taça UEFA em que, apesar de praticamente arredado da fase seguinte, o Glorioso tem a obrigação de, se tiver de se despedir desta competição, fazê-lo com uma exibição de gala, uma exibição “à Benfica”, que apague a imagem que, neste particular e nesta época, foi menos consentânea com os pergaminhos do SLB no seu brilhante historial das competições europeias.

Apito final:
“A humanidade produz Bíblias e armas; (…) transforma conventos em quartéis, mas nomeia capelães para esses quartéis.”
R. Musil, O Homem sem Qualidades

(Porto [Majestic], um dia de Dezembro, à hora de ponta)

05/12/08

O Pedido de Kar Luz Estrela

A Posteriori
Ainda não refeito das emoções atenienses, o Glorioso para consumo interno foi travado na sua caminhada conquistadora, rumo à vitória final, quando decorriam 80 minutos do jogo contra os homens do Sado. Uma decisão da equipa de arbitragem, que ninguém entendeu, escamoteou o SLB de três preciosos pontos que o colocariam na liderança isolada da Liga SAGRES. No entanto, e contrariando a opinião geral, penso que a decisão do árbitro foi correcta, pois se o nosso treinador já por várias vezes referiu que a equipa não tem pressa de chegar ao primeiro lugar, então nada melhor do que fazer-lhe a vontade!
A semana que passou revelou também que ainda falta afinar muita coisa para que a máquina funcione em pleno, como ficou demonstrado à saciedade na tragédia grega que, praticamente, retirou o Glorioso da Taça UEFA e que muito me desiludiu, pois, como qualquer adepto que se preze, o meu objectivo é ver o Glorioso vencer sempre, seja em que prova for. No entanto, sou realista e, tendo a equipa muita gente nova, com novos métodos de trabalho e nova equipa técnica, e enquanto não somos comprados por um magnata das arábias ou do gás moscovita, temos de nos reduzir à nossa dimensão e optar pelo mais importante, ou seja, a conquista da Liga SAGRES. Este terá de ser o objectivo primordial. O resto poderá e deverá ser secundarizado.
Para que tal aconteça, aqui e agora manifesto a minha solidariedade e apoio a todos os que hoje vão gerindo e servindo o Glorioso, contrariamente àqueles que, há uns anos atrás, se serviam do Glorioso, reiterando a convicção que o principal objectivo que os deve nortear esta época e que nunca deverão hipotecar com objectivos secundários é a conquista da Liga, quanto mais não seja porque é a Liga SAGRES, a cerveja da minha preferência, uma cerveja de Lisboa que, assim, derrotará a sua rival do Norte, a S B!
Até por isso e também por isso o Glorioso TEM DE SER CAMPEÃO NACIONAL!

Às malhas laterais
“Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo”
(Torrance [Jack Nicholson], The Shinning)

(Cais do Sodré [com muita brilhantina], s.d.)
@Kar Luz Estrela

28/11/08

Ora aí está... Kar Luz Estrela

BAR DO ABISMO
O mar estava calmo. Enquanto a ondulação não ultrapassava a altura das pequenas rochas mais baixas, espraiando-se languidamente no imenso areal, o horizonte longínquo lançava apelos constantes e cada vez mais fortes… Entrar, embrenhar-se, dirigir-se rumo à linha de água que se vislumbrava ao longe, era o seu mais profundo desejo. Mas as obrigações de uma vida rotineira retinham-no e impediam-no de dar o passo rumo à liberdade.
Um barco navegava calmamente seguindo aquela linha imaginária que o seu olhar alcançava. Imaginou-se a navegar também, qual marinheiro quinhentista à descoberta de novos mundos, alargando horizontes, conhecendo o desconhecido, vendo o que ainda poucos tinham visto, civilizando o que era incivilizado, propagando uma cultura que iria arrasar e destruir culturas que não entendia.
Imaginou-se a tomar para si mulheres de outras cores, raças e credos, a estabelecer relações comerciais com vendedores de produtos desconhecidos, de diferentes aromas e sabores, a maravilhar-se com monumentos de estilos arquitectónicos não padronizados, a saciar a sua fome com alimentos que nunca degustara.
Imaginou-se lá, longe, há cinco séculos atrás, porque não conseguia ver-se hoje na vida sem sentido que ia desperdiçando.
De repente teve vontade de mergulhar e nadar, nadar, nadar até chegar ao barco que começava a perder-se no horizonte.
Mas, mais uma vez, faltou-lhe a coragem. E, virando costas ao mar, regressou à sua solidão maldizendo a sua cobardia.

E se na Liga Sagres o Glorioso deu mais uma lição de pragmatismo, vencendo e convencendo, na Taça UEFA há uma mão cheia de razões para não comentar.

Livro (in)directo
“Que importa a eternidade da danação a quem encontrou num segundo o infinito do prazer?” (Baudelaire)
(Atenas, 27 de Novembro de 2008)
@Kar Luz Estrela

Afinal o pesadelo é outro

É nosso dever, perante a verdade e perante os leitores, informar que o nosso comentador residente não se encontra doente (comentários antecipados, comentários errados). Segundo SMS recebido na redacção do nosso Blogue ele informa que "estou na acrópole à espera de musa inspiradora, depois de ter passado a noite com..."

Fica a correcção

Sem... crónica... sem UEFA, mas com vontade

Kar Luz Estrela está doente. As nossas melhoras e votos de rápidas melhoras. Que os próximos 3 pontos sejam um antibiótico.

23/11/08

O nosso Benfica não deixou fugir os 3 pontos. Rubem Amorim aos 31' e Cardozo aos 47' apontaram os nossos golos.
Venham os Gregos.

O ninho

O ninho está a começar a dar sinais. Empurra daqui e dali, o importante é irmo-nos alimentando. Quando soubermos voar ninguém nos apanha.
Coimbra tem mais encanto, com 3 pontos, na hora da despedida. Vamos a ver.

21/11/08

Kar Luz estrela, nova crónica. No seu melhor.

A CRÍTICA
Era uma vez…
Escreveu um célebre poeta: “primeiro estranha-se, depois entranha-se.”
…Um indefectível benfiquista que, em amena cavaqueira com outro benfiquista dos sete costados, reflectia sobre o estado da nação, chegando ambos à conclusão que a nação estava quase sem estado porque já não havia estadistas nem de boa cepa nem de boa têmpera.
Claro que os poetas, como a maioria dos artistas, vivem um pouco alheados da realidade vivencial do comum dos mortais, pelo que tal desiderato, na maior parte das vezes, não passará de linguagem poética, sempre mais agradável à audição do que à acção.
Depois de muito discutirem e pouco ou nada concluírem entenderam que era urgente dar a conhecer ao mundo as suas opiniões e comentários sempre certeiros, pois quanto mais não fosse no plano teórico, tornava-se premente fazer algo para alterar a situação actual.
No entanto, também é mister reconhecer que “um artista tem mais direitos que qualquer outro. Perdoam-se-lhe mais coisas.” [1] Daí se poder desculpabilizar o poeta e a sua noção de que tudo, por mais incompreensível que seja, acabará sempre por ter algum significado e valor.
Decidido, de imediato se estabeleceram as regras do método opinativo. Assim, era permitido falar sobre tudo, com tudo, por tudo e, se possível, incluir também o SLB.
Tal reflexão pretende contestar, literariamente, muitas das críticas que são feitas por quem não gosta, não percebe ou não entende certas situações com que vai deparando, pois é sempre mais fácil criticar o que não se percebe no imediato do que tentar ir ao âmago da questão, já que tal exige mais trabalho e muito mais esforço intelectual.
Desde então, com maior ou menor actualidade, se vai discutindo o estado da nação, principalmente da nação benfiquista.
Acresce que, na sociedade actual, em que se dá primazia ao imediato, ao simple(x), em que pensar por si próprio já soa quase a sacrilégio, ainda mais difícil se torna dar razão ao poeta.
Convém então referir que o Glorioso ainda não alcançou o almejado 1.º lugar, por força de uns bebés lá dos lados de Matosinhos que, contra todas as expectativas, deram água pela barba a dragões e leões, sendo o SLB o único grande que ainda não saboreou o fel amargo da derrota com tais petizes. Antevendo, entretanto, os próximos desafios que se colocam ao Glorioso, e não tendo dotes divinatórios, perspectiva-se, no entanto, que os referidos bebés sejam empatados na Vila do Conde, abrindo assim caminho para o assalto ao lugar cimeiro, em Coimbra, onde o SLB dará mais uma lição de futebol total e vencedor. Dias depois, seguir-se-á mais um jogo de importância decisiva para as aspirações europeias, em que se espera que o Glorioso não se veja grego para alcançar os necessários 3 pontos. Para isso, as camisolas berrantes, quais papoilas saltitantes, têm de mostrar à saciedade a magia num toque de calcanhar de Aimar, numa trivela de Reyes, num cabeceamento fulgurante de Sidnei ou nas mão seguras de Quim.
Fora-de-jogo
No outro dia, uma amiga telefonou-me a dizer: “Queres vir cá a casa? Não está cá ninguém.” Eu fui lá a casa. Toquei várias vezes à campainha. Ninguém atendeu. Ela tinha razão, não estava mesmo ninguém!
[1] A. Camus, A Peste

14/11/08

Kar Luz Estrela na sua Crónica semanal

Perdi-te!
E ao perder-te, perdi-me!
Para onde irei agora?
A falta que o teu sorriso me faz!
A saudade da tua voz!
A tua ausência aperta-me o coração, pesa-me no peito, roubou-me a alegria de viver.
Porque será que só damos valor ao que tivemos, depois de o perdermos?
Sei que o meu destino não te preocupa. Porque haveria, se tudo fiz para que tomasses a decisão que não querias?
Agora nada há a fazer.
Sei que não voltarei a ser tão feliz como o fui naquele tempo em que passávamos noites sem fim à volta de uma conversa, de um sussurro, das trocas de carícias e mimos que só os apaixonados conhecem. Noites em que não apetecia dormir, apenas queríamos estar constantemente a ver-nos, olhos nos olhos, os teus reflectidos nos meus e os meus nos teus. Noites, à beira-mar, em que não havia estrela nenhuma no céu que brilhasse tão intensamente como os nossos olhos! Noites em que a água acariciava os nossos pés nus que se moviam no areal em direcção ao futuro mais risonho que se poderia imaginar!
Lembras-te dos dias que consumíamos a ouvir as nossas músicas (“Still Crazy for You”), a ler os nossos livros (“Kafka à Beira-Mar”), a preencher as quadrículas dos sudoku do Cartaz do Expresso, a destilar a nossa sede num copo alto com Jameson e muito gelo?“To Love is to Grow” [1] ! E o teu amor fez-me crescer!
Por isso queria voltar a viver essas noites e esses dias.
Queria telefonar-te, enviar-te uma mensagem a dizer-te que afinal só contigo eu fui e voltaria a ser feliz, a dizer-te que te quero mais do que tudo na vida, a dizer-te que aprendi com os erros e que seria tudo o que sempre quiseste que eu fosse para ti, mas sei que nem sequer a irias ler. Ou então irias ler e rir-te, arrastando nesse riso os que agora estão à tua volta!
Porque não voltas para mim?


E o S.L.B.?

Depois de depenar umas aves tenrinhas, vai aproveitar o fim-de-semana para assumir a liderança da Liga Sagres!

[1] Faze Action, álbum: “Moving Cities”

12/11/08

Rumo à Vitória

O jantar de ontem juntou cerca de 130 Aeronáuticos Benfiquistas. O convívio e a sã camaradagem foram a marca deste grande convívio.
Brevemente teremos a reportagem fotográfica.
A não perder... Em frente, rumo à vitória final.

07/11/08

Kar Luz Estrela e a DIE ANGST DES TORMANNS BEIM ELFMETER

DIE ANGST DES TORMANNS BEIM ELFMETER [1]

Não está fácil a vida dos árbitros em Portugal!
Oriundos das mais variadas camadas e estratos sociais, muitos vêm na carreira da arbitragem a única forma de alcançarem reconhecimento e visibilidade. Por isso, aparecem tão contentes e bem dispostos no início dos jogos quando, em amena cavaqueira com os capitães das equipas, lançam ao ar a moeda que decide quem irá dar o primeiro pontapé na bola.
Acontece porém que a maioria dos espectadores de futebol não os reconhece de imediato porque vestem quase sempre de igual e não têm nome nas camisolas, pelo que, muitas vezes, acabam por chamá-los “Gatuno”, como se fossem todos da mesma família.
E têm sido os dessa família que têm arbitrado os últimos jogos do Glorioso. Entre a angústia de marcarem um penalty ou de serem reconhecidos, têm optado sistematicamente pela segunda hipótese, conseguindo assim que, em uníssono e em coro, todos os espectadores afectos ao Glorioso os invoquem e, se continuarem com o mesmo tipo de decisões, terão em breve a sensação sempre inebriante de finalmente serem reconhecidos por 6.000.000 (seis milhões!) de portugueses. [2]
Quanto ao resto, e não é pouco, continuamos na senda das vitórias, agora na cidade-berço, em que atingimos a marca de 5.000 (cinco mil!) golos, com 30 minutos de exibição de luxo e uma segunda parte de sofrimento, devido a mais algumas decisões angustiosas da arbitragem.
Agora, e depois do banho turco, que se espera que não provoque nenhuma gripe na equipa, temos mais um jogo em que, na pior das hipóteses, lá teremos de voltar a treinar os penaltys!

Lido num estabelecimento comercial:
Para sua segurança, está sob vigilança.”
Proposta de correcção:
“Para sua segurância, está sob vigilância.”

Apelo: Agora mais do que nunca é imperioso que a família benfiquista continue unida. Vamos todos estar presentes no jantar do dia 11NOV!

[1] Filme realizado em 1972 por Wim Wenders e que, em Portugal, recebeu o título: “A Angústia do Guarda-redes no Momento do Penalty”.
[2] No entanto, convém não esquecer que, ainda recentemente, no jogo contra o Penafiel para a Taça de Portugal, o Glorioso beneficiou de 5 (cinco!) penaltys.